Assombra-me a face
que ao manter-se resvala
usando expressões
ao meu ver, inclina
perfis esvoaçantes, eu a vi
cara-à-cara
avulsa, hesitante
de mim dissentida
Eu li seu semblante
imagem que cala
os traços errantes
verdade torcida
de olhos marejados
ansiei encontrá-la
mas perdeu-se no montante das coisas fingidas
As linhas que trago
feição que sustento
em mim desalinha
alheia no espelho
olhei para a face
em meu desalento
olhou-me a face
lasciva, escarninha
Ângela Cardoso e Ronhely Pereira
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
domingo, 6 de janeiro de 2008
sóbrio estágio
Perturbava-me o eu no âmbito despido
dentre os impulsos, dissidência
nem me consolou a distorção vivida
pago a dívida: o entorpecimento dissimulado
A minha personalidade esbocei em dística
vultuosos valores dissuadiram: descobertos
a junção do que fui em tantas partes
abduzi o que sou por completo
(mas conservo a mesma atitude de condescência
pois sou sensível às coisas comuns
pelas quais fui concebido e as tenho mantido indiferente
as feições que me extraviam)
Algo foi feito naquele instante
o alheio e transitório: sóbrio estágio
atos bradavam fendas: renunciando-me
valiam-se da tenacidade: apatia
Seria uma visão real esse ser que me aparece?
desistindo das próprias virtudes de que se compõe?
um ser disperso de seu próprio criador
um elemento suspenso a meu encontro
Estive disposto e destilado neste êxtase
proferindo um levante, repelido em cada membro
eludindo a vislumbrar - paciência!
ajude-me sou tentado a desertar
desse triste estado de intermitência!
Ângela Cardoso e Ronhely Pereira
dentre os impulsos, dissidência
nem me consolou a distorção vivida
pago a dívida: o entorpecimento dissimulado
A minha personalidade esbocei em dística
vultuosos valores dissuadiram: descobertos
a junção do que fui em tantas partes
abduzi o que sou por completo
(mas conservo a mesma atitude de condescência
pois sou sensível às coisas comuns
pelas quais fui concebido e as tenho mantido indiferente
as feições que me extraviam)
Algo foi feito naquele instante
o alheio e transitório: sóbrio estágio
atos bradavam fendas: renunciando-me
valiam-se da tenacidade: apatia
Seria uma visão real esse ser que me aparece?
desistindo das próprias virtudes de que se compõe?
um ser disperso de seu próprio criador
um elemento suspenso a meu encontro
Estive disposto e destilado neste êxtase
proferindo um levante, repelido em cada membro
eludindo a vislumbrar - paciência!
ajude-me sou tentado a desertar
desse triste estado de intermitência!
Ângela Cardoso e Ronhely Pereira
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
visão de um cego
Recendia o alcance em vista da janela, sobre o uso da penumbra
os perfis de equilíbrio exploram os limites do significado
revalorizava seus contrastes; emergindo-se em seus personagens (diversos)
cuja identidade resvala em seu corpo; num súbito de tensão
Era apenas um ponto de reflexão cuja distância mantinha-se crivada
tornando-se ao todo similar sobre os rastros de um auge distante
contemplando-se ao predomínio de construção de relativa aparência
instinguia-se aos tempos que se seguem;ao fator que o destaca: o desejo de ver predominava
Ronhely Pereira e Rafael Felipe Cabral
os perfis de equilíbrio exploram os limites do significado
revalorizava seus contrastes; emergindo-se em seus personagens (diversos)
cuja identidade resvala em seu corpo; num súbito de tensão
Era apenas um ponto de reflexão cuja distância mantinha-se crivada
tornando-se ao todo similar sobre os rastros de um auge distante
contemplando-se ao predomínio de construção de relativa aparência
instinguia-se aos tempos que se seguem;ao fator que o destaca: o desejo de ver predominava
Ronhely Pereira e Rafael Felipe Cabral
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
poema
Todo e qualquer murmúrio sublima as impressões e desatina ociosidades
configura as aversões e propõe silêncios: dando formas ao mundo
porém, todas as formas saberão ser versáteis, ainda que inutilmente
faça dos gestos humanos seu contínuo rumo das perpetuações!
Todo e qualquer murmúrio é um transcorrer que enuncia revelações
decompõe ilusões, convenciona ênfases aos acontecimentos
mastigando particularidades, quando por si mesma busca
concentrar a monotonia em palavras de resignação
Ronhely Pereira
configura as aversões e propõe silêncios: dando formas ao mundo
porém, todas as formas saberão ser versáteis, ainda que inutilmente
faça dos gestos humanos seu contínuo rumo das perpetuações!
Todo e qualquer murmúrio é um transcorrer que enuncia revelações
decompõe ilusões, convenciona ênfases aos acontecimentos
mastigando particularidades, quando por si mesma busca
concentrar a monotonia em palavras de resignação
Ronhely Pereira
Transubstancial

Filme: Transubstancial
Curta-metragem UFPB, 2003
Diretor: Torquato Joel
Filme inspirado no livro “EU” de Augusto dos Anjos
Crítica por Ronhely Pereira
Crítica
Curta-metragem UFPB, 2003
Diretor: Torquato Joel
Filme inspirado no livro “EU” de Augusto dos Anjos
Crítica por Ronhely Pereira
Crítica
A busca por uma identidade advém naturalmente de gradativa maturação da sensibilidade, na concepção de uma obra de arte. Difícil não incorrermos em obviedades ante a evidência desta proposição nas diversas modalidades do fazer artístico, em que a experimentação eclode culminantemente na espontaneidade. Esta compleição iniludível e subjetivamente multiforme atribui à Transubstancial a alçável profundidade poética de um artista no caminho da liberdade expressiva sentida, vivenciada em suas amplas matizes. A poesia de Augusto dos Anjos, reunidas no livro “EU”, assim como sua versão cinematográfica, desprende as imagens de seu conteúdo fixista, extático para um intenso vagar das reentrâncias sígnicas, em nosso processo de visualidade interpretativa. São as múltiplas significações que conferem opulência qualitativa mediante o apuro técnico das imagens representadas.
O formato curta-metragista é uma modalidade que exige do diretor uma atribuição eloqüentemente concisa e fecunda signicamente à conjunção entre som e imagem. O conteúdo fílmico se debruça por entre a espacialidade metafísica que há entre vida e morte, tais recursos condensam-se harmoniosamente, vertendo no espectador o vigor expressivamente universal inerente à poesia, infelizmente esquecido atualmente tanto na comercialidade cinematográfica quanto na apreciação popular. O filme é fidelíssimo à proposta do livro de Augusto dos Anjos, ao mesmo tempo em que potencializa e enriquece as possibilidades interpretativas da poesia.
As extremidades do viver e o caminho do “estar no mundo”, contidas nestas misteriosas extremidades do nascer e do morrer são repensadas contestadoramente em oposição ao estertor civilizatório, na degradação das etnias do ser, de tudo o que é humano nesta pretensa e contemporânea socialidade. Se o que vivenciamos neste século é a consciente liberdade do que é sentir-se verdadeiramente humano, então qual seria o “prazer que viria substituir a alma humana?" A poesia, a simples e verdadeiramente humanística poesia!
O formato curta-metragista é uma modalidade que exige do diretor uma atribuição eloqüentemente concisa e fecunda signicamente à conjunção entre som e imagem. O conteúdo fílmico se debruça por entre a espacialidade metafísica que há entre vida e morte, tais recursos condensam-se harmoniosamente, vertendo no espectador o vigor expressivamente universal inerente à poesia, infelizmente esquecido atualmente tanto na comercialidade cinematográfica quanto na apreciação popular. O filme é fidelíssimo à proposta do livro de Augusto dos Anjos, ao mesmo tempo em que potencializa e enriquece as possibilidades interpretativas da poesia.
As extremidades do viver e o caminho do “estar no mundo”, contidas nestas misteriosas extremidades do nascer e do morrer são repensadas contestadoramente em oposição ao estertor civilizatório, na degradação das etnias do ser, de tudo o que é humano nesta pretensa e contemporânea socialidade. Se o que vivenciamos neste século é a consciente liberdade do que é sentir-se verdadeiramente humano, então qual seria o “prazer que viria substituir a alma humana?" A poesia, a simples e verdadeiramente humanística poesia!
Gênesis
Este blog foi criado com a intenção do livre partilhar, da discussão construtiva e da democratização de idéias! Sintam-se a vontade para opinar, expôr referências, enfim, um lugar em que você tem liberdade expressiva, respeitando a ética e a proposta do site é claro! Senhoras e senhores, sintam-se a vontade para opinar no CONEXÃO LITERÁRIA!
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